"Navegue por seus sonhos, mas tenha um porto seguro. Finque suas raízes em solo fértil que lhe garanta bons frutos no futuro." - G. Nobio.

Translate / Tradutor

6 de agosto de 2008

Afetação

> Sou um cara avesso à adoração exacerbada de artistas super-afetados, e incluo nesse balaio tanto os medíocres desprezíveis quanto os gênios que eu admiro. Tem gente que diz que pessoas que têm talentos para as artes são seres diferentes, evoluídos e dotados de grande sensibilidade – e que por causa disso se justifica suas manias e esquisitices. Tudo conversa fiada! Eu chamo isso de frescura e babaquice. Ilusão que a própria mídia coloca na cabeça dessas pessoas e as fazem pensar que são melhores que os demais só porque pintam quadros, porque atuam na TV ou porque compõem canções.

> O artista se torna inacessível ou se cerca de um falso glamour porque um cidadão que o assessora falou no seu ouvido que ele não deve ser tocado e que quanto mais difícil ele for maior será o interesse em torno dele. É dessa maneira que muitos deles se transformam em escravos do sucesso, ficam doentes quando não estão em evidência, fabricam uma imagem que não condiz com aquela refletida no espelho da sua intimidade. Sorridentes e solícitos diante das câmeras, mas tristes e arrogantes fora de cena.

> Eu me lembro de o violonista Guinga ter falado, numa visita à uma escola de música em que eu estudei há uns anos atrás, que mais importante do que qualquer vaidade ou ego inflado que a arte possa gerar é a graça da criação, a beleza da concepção humana, a vida. Devemos valorizar tais coisas para que aquilo que nós fazemos com amor seja verdadeiro. O artista de certa forma é um operário da cultura e o mesmo não deve virar as costas para o povo, pois é o povo o responsável por grande parte do seu êxito junto às massas, o agente disseminador da sua obra, aquele que a imortaliza.

> O palco não é o topo do mundo, é apenas a plataforma de comunicação com a platéia que poderá consagrar ou não o tal artista. Sem gente presente não há show e sem prestígio não há festa, não há o ápice. Como artista brasileiro, tendo o Onipresente como Maestro Soberano, anseio por um ambiente artístico mais autêntico, sem esquemas, sem glamour excessivo, sem intelectualóides e sem pseudo-heróis. Já me basta a glamourização da violência e da promiscuidade, quero ser bem representado.



0 comentário(s):

ACESSOS!

© 2014 - Nobio Da Paz Produções Musicais / Template: D.B.