"Navegue por seus sonhos, mas tenha um porto seguro. Finque suas raízes em solo fértil que lhe garanta bons frutos no futuro." - G. Nobio.

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10 de outubro de 2009

Dragão de Komodo

Todo e qualquer fato relevante requer uma análise crítica imparcial e defendendo ou não uma idéia é preciso ser coerente para não cair em... sensação. Com sua lábia a serviço da manipulação, o sociólogo Demétrio Magnoli tem a mania de ser tendencioso ao insistir em dizer que o sistema de cotas em universidades públicas para afro-descendentes e indígenas determina que os brancos têm “a cor errada” – perceba que tal afirmativa já incita a discriminação. Segundo ele – em entrevista ao programa Canal Livre (da Band), que foi ao ar no dia 04/10/2009 –, as cotas estimulam a segregação através de um conceito de “raça” e que todo o processo de compra e venda de escravos negros ocorrido no passado foi de cunho meramente mercantilista, por ter tido a participação de líderes tribais africanos. MENTIRA!


Mais uma vez ele engana fazendo uso do típico discurso do dominador, que conta apenas a versão que o interessa e esconde a verdade dos fatos. Ora, o Brasil é um lugar repleto de desigualdades, mazelas e preconceitos há séculos. É sabido que não existem “raças”, todas as etnias formam uma única raça, a humana. O tal conceito de “raça” foi criado pelas elites européias da época da colonização como forma de estabelecer diferenças de caráter étnico ou por classe social a fim de incutir no (in)consciente coletivo a superioridade de um povo em relação a outro – o que é falso – com propósitos de dominação. O comércio de mão-de-obra escrava na África se deu a partir desse tipo de pensamento também (entre outros fatores), culminando na exportação de “peças negras” a este solo varonil para a execução de trabalhos forçados.


Quando se fala em reparação por meio de cotas é tentar equilibrar as oportunidades entre aqueles que detêm o poder político-econômico (brancos) e os que possuem baixa renda (negros, índios e mestiços: historicamente relegados a segundo plano). Barack Obama, primeiro presidente negro dos Estados Unidos e ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 2009, é um exemplo de pessoa que foi beneficiada, quando bem jovem, pelo sistema de cotas em seu país. Tenho absoluta certeza que se os ensinos fundamental e médio fossem de real prioridade dos governos e de melhor qualidade, os alunos teriam melhor desempenho e melhores condições de encarar uma faculdade no futuro, sem nenhuma necessidade da existência das cotas educacionais.


Mas infelizmente, devido a negligência dos governantes durante décadas, a classe dominante do poder político-econômico hoje paga um certo preço por isso. Não condeno ninguém que seja contra o sistema de cotas, é necessário entender todo o contexto histórico de formação da nação e da sociedade brasileiras e não engolir engodo. Cuidado com a baba venenosa do sr. Magnoli!!!



2 comentário(s):

Gêiser Nobio, 11 de outubro de 2009 09:16

"A realidade da 'raça' é social e política porque tivemos na história da humanidade povos e milhões de seres humanos que foram mortos e dominados com justificativa nas pretensas diferenças biológicas. Temos em nosso cotidiano, pessoas discriminadas em diversos setores da vida nacional porque apresentam cor da pele diferente. Nosso sistema educativo é eurocêntrico e nossos livros didáticos são repletos de preconceitos por causa das diferenças".

Kabengele Munanga (Professor do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo).

Anônimo, 19 de outubro de 2009 11:37

Verdade seja dita, o cunho mercantilista de escravos africanos NÃO é mentira. Como vc mesmo disse no texto, não vamos esconder os fatos em detrimento de vontades próprias. Tanto é verdade que a escravidão de homens, mulheres e crianças ainda é uma prática na africa. Esta lá, pra todo mundo (que quizer) ver.

ACESSOS!

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