
A "largada" ainda não foi dada oficialmente, mas o clima já é de aquecimento total para o abre-alas, confete e serpentina. Creio que em nenhum outro país as pessoas ficam tão excitadas e ansiosas pela chegada do mês de fevereiro como nas terras tupiniquins - com mil planos em mente e marchando diariamente no ritmo do carnaval. Não me lembro de ter sido um folião inveterado - tipo aquele que após o fim do expediente às 18:00 da sexta-feira aproveita cada segundo da
festa da carne até a quarta-feira de cinzas -, se sou, talvez um moderado seguidor dos simpáticos blocos carnavalescos que sempre pregam a paz e o amor, coisas que deveriam ser mais preservadas pelos que organizam os eventos nessa época e principalmente por parte dos freqüentadores (me refiro aos mal-intencionados).
Dois fatores bastante preocupantes são o excesso de bebida alcoolica e a violência, percebe-se claramente que muita gente está mais disposta a partir para a pancadaria do que se divertir , certa vez pude conferir isso de perto (há três anos atrás). A um desses tradicionais blocos de rua do Rio de Janeiro (cujo nome prefiro omitir) fui ao encontro e me juntei a enorme multidão acompanhando o animado carro de som, tudo seguia o fluxo normal quando de repente uma confusão é deflagrada. Enquanto um bando de marmanjos se atracavam uns com os outros as cabrochas horrorizadas ficavam só (sem samba e sem um bamba). O problema é que só tinha uma saída e a minha maior preocupação era com quem me fazia companhia, que eu precisava proteger de qualquer maneira. Felizmente conseguimos nos desvencilhar do tumulto e passar ilesos pelos brigões doidões. Poderia ter sido pior. Aprendi uma lição: jamais ficar no meio de uma aglomeração sem rota de fuga.
O carnaval é uma das expressões culturais mais antigas do mundo, originou-se na Grécia entre 605 e 527 a.C. através dos agricultores que festejavam a fertilidade do solo, foi adotada pela Igreja Católica em 590 d.C. como comemoração cristã (?) e o carnaval brasileiro surgiu em 1723 trazido pelos portugueses. A partir de 1855 começou a ganhar a forma como o conhecemos hoje, quando foram fundados os primeiros grandes clubes carnavalescos. Mil novecentos e vinte oito marca o ano de fundação da primeira escola de samba propriamente dita, a Deixa Falar, no bairro do Estácio (R.J.). Tal manifestação é muito banalizada atualmente, transformou-se num negócio da china e sua principal característica aos poucos vai se perdendo: a alegria. Que pena!
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