"Navegue por seus sonhos, mas tenha um porto seguro. Finque suas raízes em solo fértil que lhe garanta bons frutos no futuro." - G. Nobio.

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17 de fevereiro de 2010

O Último Malandro!

Falar filosoficamente da favela de forma legítima e com conhecimento de causa não é para qualquer um; relatar as amarguras de um povo sofrido com bom humor ou fazer críticas sociais com um ponto de vista esperto e inteligente era tarefa fácil para uma das figuras mais autênticas da música brasileira: Bezerra da Silva, o último malandro. Dono de estilo inconfundível, cantava o morro de maneira tão natural que parecia um verdadeiro malandro carioca do Rio antigo (embora fosse pernambucano), vinha da linhagem de outro Da Silva, o saudoso Moreira (o velho Morengueira). Sua sagacidade sambista serviu de inspiração para a geração seguinte, de Zeca Pagodinho a Marcelo D2, do pagode ao hip hop.

Mestre Bezerra
provou e comprovou sua versatilidade, imprimiu sua marca, criou bordões, foi tema de documentário, gravou até o fim da vida músicas de compositores-operários – responsáveis pela maioria dos seus sucessos –, ganhou respeito e admiração da turma do pop/rock, mas nunca recebeu da indústria musical o devido valor e tratamento de estrela de primeira grandeza, pois sempre foi encarado como um artista folclórico e engraçado, era muito mais que isso – pra mim é tão importante quanto um Frank Sinatra, um Tom Jobim, etc. O homem se foi, mas sua obra é imortal e parte essencial dela está presente na coletânea O Partido-Alto do Samba (2004), C.D. de 14 faixas com o melhor da malandragem musical do grande Bezerra, que cobre o período de 1981 (Asa À Cobra) a 1992 (Garrafada do Norte).

Todas as músicas passaram por um processo de remasterização através do
Digital Mastering Solutions. Destaques para Partideiro Indigesto (pede respeito ao samba e ao sambista do morro), Malandro Rife (exalta o malandro cabeça feita), Candidato Caô Caô (esculacha o político safado; foi regravada pela banda O Rappa com participação dele fazendo um rep), Malandragem Dá Um Tempo (fala de entorpecente; foi regravada pela banda Barão Vermelho), Se Não Fosse O Samba (fala de preconceito em relação ao favelado) e Eu Sou Favela (defende o lugar de origem). Bezerra da Silva, este sim, é a verdadeira voz da favela. Aí tá certíssimo! Malandro é malandro, mané é mané.


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