"Navegue por seus sonhos, mas tenha um porto seguro. Finque suas raízes em solo fértil que lhe garanta bons frutos no futuro." - G. Nobio.

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16 de maio de 2012

Viagem Temporal: O Sonho

De repente estava eu na Praça XV - no centro da cidade do Rio de Janeiro - a caminho da Estação das Barcas com o intuito de fazer a travessia da Baía de Guanabara o mais breve possível, como é de costume no fim de tarde/início da noite. Nesse dia, um apresentador de TV fazia uma gravação para o seu programa com a participação de populares bem próximo a uma das escadarias que dão acesso ao Mergulhão (local subterrâneo por onde trafegam ônibus) - mas não dei a menor atenção e segui adiante.

Logo em seguida percebi a presença de dois conhecidos (um deles era meu mano Ron e o outro, um ex-colega de faculdade), que estavam perto de mim batendo papo. Eu tinha apenas a visualização deles, mas não conseguia tocá-los e - embora estivéssemos encostados numa grade esperando pelo nada e por ninguém (?) - seu diálogo era sem som. Sonhos parecem reais, mas são confusos e têm cortes rápidos como cenas de um filme. Estou dentro da estação e efetuo o pagamento do meu embarque com uma espécie de dinheiro cuja textura do papel é igual a ingresso para um espetáculo teatral ou para um concerto musical. Ao embarcar, reparo que o tal meio de transporte não se parece com um catamarã, é um híbrido de barca com ônibus - veículo estranho e bastante antigo chamado "barcônibus", somente fabricado por meu cérebro enquanto o corpo estava em repouso no silêncio do meu aposento.

A embarcação segue viagem rumo a Niterói e nesse instante me vem a sensação de estar numa outra dimensão; percorro os amplos salões com várias cadeiras fixas de madeira a procura de um lugar para sentar e acabo conhecendo uma morena muito bonita, com quem faço amizade rapidamente. Assim como eu, ela desconfia não estar no presente; converso com a moça a respeito da teoria do buraco de minhoca (o continuum espaço-tempo) e que se fosse possível voltar ao passado, a viagem seria só de "ida". Quando olho para o mar, avisto destroços de aeronaves militares típicas da Segunda Guerra Mundial e durante a travessia noto que a Ponte Presidente Costa e Silva ainda não existe. Fito os olhos castanhos da jovem e bela mulher e chego a seguinte conclusão: "Inexplicavelmente viemos parar na década de 1940!!!". Ela me pega pela mão e juntos nos dirigimos para o segundo andar da embarcação, ficamos a sós num local mais reservado sentados num banco sem encosto e de cor verniz asa de barata; era noite de estrelas e ali nos beijamos. Eu disse, admirando seus dentes brancos e seus lábios intensamente vermelhos: "Rose, só tenho você, fica comigo. Agora que o tempo é relativo, seremos felizes para sempre!". Por algum motivo que não sei dizer ao certo, nosso romance foi interrompido e ela não pôde ficar; subiu as escadas, que levavam a um outro compartimento, apoiando-se no corrimão com a mão esquerda e segurando sua longa saia com a mão direita.

O destino já estava bem próximo e em breve iríamos atracar, desci e para a minha surpresa encontro com minha centenária avó Zaliê (cinqüenta anos mais nova e com os cabelos pretos) me falando sobre um baile que estava acontecendo no município fluminense. Nesse momento me dou conta da presença da minha Bebete, do velho amigo da família Tobe Bigode (bem mais magro) e do mano Ron, que não ficaram surpreendidos ao dizê-los que estávamos presos em algum lugar do passado. Sugeri a idéia de escrevermos uma carta para os amigos do futuro dando detalhes do nosso desaparecimento, mas ninguém acreditaria em nós e o mais importante: onde e com quem deixaríamos um manuscrito guardado durante décadas até que chegasse o ano de 2012??? E mesmo assim não havia garantia de que estivéssemos na mesma linha temporal de onde partimos!!!

Enfim, atracamos numa praia que em nada se assemelhava à Estação Araribóia. Fui o primeiro a pisar em terra firme e conforme eu subia uma pequena duna - que conduzia à cidade -, uma música muito conhecida ficou cada vez mais clara aos meus ouvidos: Banho de Lua, gravada por Celly Campelo. Cruzei com uma moça vestida de colegial estilo anos 60 e em seguida com outras pessoas vestindo trajes da época; olhei pra cima, vi um viaduto e mais à frente, sob tal obra arquitetônica, a entrada do que deveria ser uma escola ou um grêmio recreativo. O clima era animado na subida da enseada, vi um cara tocando um tambor de banda marcial e gente indo e vindo. Continuei andando com a intenção de chegar até aquele casarão ou edificação, mas pouco antes de alcançar o portão... eu acordei! Já eram mais de 07 horas de uma manhã fria de inverno.


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