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18 de junho de 2013

Um Ritmo Bem Brasileiro

Tempo é de celebrar compositores e intérpretes que fizeram com que o choro deixasse de ser estilo e passasse à condição de gênero musical.

Brasileiro de berço e carioca da gema, chorinho recebeu homenagem no dia 17/04/2013 na Assembleia Legislativa do Estado do Rio De Janeiro (ALERJ). Quatro dias depois, foi a vez de Alfredo Rocha Vianna Filho – o Pixinguinha – ser lembrado pela cidade. Foi inaugurada, em frente à estação de trem de Olaria, uma placa em lembrança ao autor de 1 a 0, Rosa e Carinhoso.

Também é tempo de celebrar os 150 anos do nascimento de Ernesto Nazareth. Compositor de choros como Por Que Choras, Cavaquinho? e Janota, Nazareth é citado pelo radialista e produtor musical João Carlos Carino como um reinventor do chorinho.

“Junto com poucos artistas, Ernesto foi o primeiro grande divisor [de águas] do choro. Teve uma formação de música clássica, até que se tornou compositor de música popular”, analisa Carino.

PAI DOS CHORÕES

Em 1870, no Rio De Janeiro, o compositor Joaquim Callado (imagem acima) foi o responsável pelo primeiro choro. Callado se tornou conhecido como o pai dos chorões. Na partitura de Flor Amorosa, entretanto, o autor a denominou como polca. Essa dança, de origem europeia, foi de grande influência para o nascimento do choro, assim como a valsa e a mazurca.

Carino, ao contrário do pensamento corrente, defende que o choro seja dançado. “Existem algumas bobagens no choro, como as pessoas não dançarem. Mas deveriam. É que os puristas não admitem isso. Por exemplo, o tango tem mai repercussão, por que dá para dançar. Mas a dança do choro, que se aproxima do maxixe, é muito mais legal e sensual do que o tango”, contesta o apresentador do programa Roda De Choro, na Rádio MEC FM.

Pioneiro do choro, Callado foi responsável por fazer com que o choro deixasse de ser estilo e passasse à condição de gênero musical. “No No ano em que foi lançada Flor Amorosa, o choro surgiu como gênero musical consolidado. É que, até então, havia uma enxurrada de compoisções europeias, mas o Callado adaptou para a nossa realidade. Chamo esse fenômeno de 'músicas abrasileiradas', porque a obra do Callado foi uma adaptação dessas composições à realidade do Brasil [na época]”, afirma o pesquisador Leonardo Santana Da Silva, professor no Centro Universitário Augusto Motta (UNISUAM).

Com a abolição da escravidão, os negros se tornaram trabalhadores “livres”, inclusive para migrar para os centros urbanos. No Rio De Janeiro, então capital federal, esses trabalhadores formaram novos grupos musicais.

O pesquisador Leonardo Santana cita os “redutos de babeiros”. “Eram locias onde se concentravam músicos que se apresentavam em bailes e festas. Assim, eles continuavam a trabalhar como na época das orquestras das fazendas”, ressalta ele, que também é autor de um livro sobre a inserção do negro na sociedade brasileira por meio do chorinho.

“A Chiquinha Gonzaga, quando começou a tocar, dava aula eles”, lembra Carino, que também é presidente do Instituto Memória Musical Brasileira (IMMUB), o maior acervo da discografia brasileira, com mais de 100 mil cópias catalogadas.

GRAVADORA PIONEIRA

Fundadora da Acari Records, primeira e única gravadora do ramo no Brasil, a compositora Luciana Rabello relata que foi “a falta de interesse do mercado fonográfico pelo choro e o samba carioca” que a levou a criar, junto com um grupo de amigos, um selo com a cara da música brasileira. Luciana abriu a Acari em parceria com Maurício Carrilho (instrumentista) e com João Carlos Carino.

Carrilho e Luciana são fundadores e coordenadores da Escola Portátil de Música, na Lapa (RJ), o terceiro de quatro eixos que levaram à ressurreição do choro e do bairro. “Além do programa na Rádio MEC, da Acari e da E.P.M, o público voltou a frequentar a Lapa para ouvir choro no Bar Semente”, conclui Carino.


Fonte: Brasil De Fato. Por: Daniel Israel.

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