"Navegue por seus sonhos, mas tenha um porto seguro. Finque suas raízes em solo fértil que lhe garanta bons frutos no futuro." - G. Nobio.

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7 de janeiro de 2014

O Futuro do Exercício da Lei

RoboCop (2014). Direção: José Padilha.
Em 1987, a megacorporação Omni Consumer Products (OCP) planejava substituir a velha e decadente Detroit pela moderna Delta City, com a privatização da polícia e de outros serviços essenciais - atuando em nichos de mercado diversos.

OCP retratada no clássico dirigido por Paul Verhoeven era uma distópica companhia gerida por executivos que almejavam apenas o poder e o lucro a qualquer custo, mantendo pleno controle militar-industrial. O personagem Dick Jones destacava as estratégias da empresa da seguinte forma: "Olhe bem a história desta companhia e você verá que conseguimos lucrar em mercados tradicionalmente vistos como sem fins lucrativos: hospitais, prisões, exploração espacial. Eu digo que existe um bom negócio onde você procura."

RoboCop (1987). Direção: Paul Verhoeven. 
Mas a OCP também era duramente criticada como opressora e extremamente capitalista, tendo um certo vínculo com o crime organizado, tráfico de drogas e prostituição. É nesse cenário que entra o bom cidadão e honesto agente lei Alex J. Murphy (interpretado por Peter Weller), casado e pai de um menino.

Depois de ser brutalmente fuzilado quando perseguia uma quadrilha de roubo a banco, o policial é dado como morto, sua memória é apagada e ele é transformado em um ciborgue de combate ao crime. Sem saber, Murphy deixa de ser humano e torna-se um produto de uma companhia de atividades questionáveis.

Taurus, carro usado pela OCP Police em RoboCop (1987).
O filme - cuja trilha sonora foi composta pelo brilhante maestro Basil Poledouris - se passa na época das tensões da Guerra Fria em uma cidade industrial famosa por sua produção automobilística, lugar outrora promissor e que tempos depois seria atingido por uma crise econômica contribuindo para o declínio da qualidade de vida. Sua narrativa contundente e dramática expõe um corporativismo vil - que se alia à corrupção e financia a violência urbana - movido pela ganância e por interesses pessoais.

 
Joel Kinnaman como RoboCop. Gary Oldman é o Dr. Norton.
Em 2028, "o crime tem um novo inimigo" (um velho conhecido de pontaria certeira) e desta vez as aspirações da OmniCorp são globais e seu lema é "Nós temos o futuro sob controle."

Suas atuações vão além do território norte-americano e fabricam os produtos certos contra distúrbios urbanos e o terrorismo: drones (veículos aéreos não tripulados) com poder de fogo, andróides que atuam na segurança pública e também os ED-209 (remodelados) para situações de guerra. Ou seja, a violência e a insegurança são negócios lucrativos.

O longa-metragem de José Padilha (diretor de Tropa de Elite 1 e 2) difere em muitos aspectos do original, mas a crítica ao belicismo permanece, apresentando a brutal realidade pela ótica de um reality show.

Embora a versão do cineasta brasileiro aborde o drama de Murphy/RoboCop de uma outra maneira, o conceito do personagem é fiel, porém mais emocional e psicológico (menos frio e mais sangue quente). Talvez seu maior conflito seja o fato de se ver num corpo cibernético que pode ser apalpado pela própria mão direita (humana).

Pat Novak.
Na era da internet, a brutalidade e os excessos cometidos pela força policial e seu apoio robótico/mecanizado são reprovados ou não pela opinião pública e alardeados de forma sensacionalista com a força do marketing de programas de TV como o The Novak Element, apresentado pelo personagem de Samuel L. Jackson.

Tratando-se do universo do policial do futuro, a trama certamente não deixará de abordar pontos essenciais como política e sociedade propondo reflexões sobre o mundo de hoje, cada vez mais tecnológico e armado até os dentes. Um mundo cada vez mais doente e "salutar" para o capitalismo selvagem.

Os principais executivos da OmniCorp:

Dr. Dennett Norton (especialista em bio-mecatrônica).
Tom Pope (diretor de marketing).
Raymond Sellars (presidente da OmniCorp).
Liz Kline (diretora de assuntos jurídicos).


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